O cacau produzido no estado do Pará alcançou reconhecimento internacional ao conquistar medalha de ouro no Cacao of Excellence, considerada a principal premiação mundial dedicada à qualidade das amêndoas de cacau. A cerimônia ocorreu em 8 de fevereiro de 2024, em Amsterdã, na Holanda, durante a conferência internacional Chocoa, um dos principais encontros da indústria global do chocolate.
Entre os premiados estão os produtores Leomar Silva Vieira, do município de Medicilândia (PA), e Gilmar Batista de Souza, de Uruará (PA), cidades localizadas na região da Transamazônica, uma das áreas mais importantes da cacauicultura brasileira. O reconhecimento internacional coloca o cacau paraense entre os melhores do mundo e reforça a crescente reputação do Brasil no mercado de cacau fino e de alta qualidade.
O Cacao of Excellence (CoEx) foi criado em 2009 e é realizado a cada dois anos pela Aliança Biodiversity International e CIAT, em parceria com organizações internacionais ligadas à produção de cacau e chocolate. O concurso seleciona as melhores amostras de cacau do mundo a partir de avaliações técnicas que analisam aroma, sabor, fermentação e qualidade das amêndoas.
Na edição mais recente do prêmio, realizada em 2023–2024, 50 amostras finalistas foram escolhidas entre centenas enviadas por produtores de diversos países produtores de cacau, como Brasil, Equador, Peru, Madagascar, Indonésia e Gana. Entre essas amostras, apenas algumas receberam medalhas de ouro, prata e bronze, consideradas as maiores distinções da competição.
O desempenho brasileiro foi histórico. O país conquistou três medalhas de ouro na premiação de 2024, consolidando-se como um dos grandes destaques do evento e demonstrando a evolução da qualidade da produção nacional nas últimas décadas.
A participação no concurso mundial ocorre após uma etapa nacional. Os produtores premiados foram selecionados previamente no Concurso Nacional de Cacau Especial de 2023, organizado pelo Centro de Inovação do Cacau (CIC), sediado em Ilhéus (BA). A competição brasileira funciona como classificatória para o evento internacional e tem como objetivo incentivar a melhoria da qualidade e da sustentabilidade da produção de cacau no país.
Além do prestígio, o prêmio abre portas para novos mercados e aumenta o valor do produto. O reconhecimento internacional atrai a atenção de chocolatiers e empresas especializadas em chocolate premium, que buscam cacau de origem controlada e com perfil sensorial diferenciado.
Nos últimos anos, o Pará tem se consolidado como um dos principais polos da cacauicultura brasileira. Desde a década de 2010, o estado lidera a produção nacional de cacau, ultrapassando a tradicional região produtora da Bahia e investindo em tecnologia, manejo sustentável e capacitação de produtores.
Grande parte da produção paraense é realizada por agricultores familiares, especialmente nas cidades da Transamazônica, como Medicilândia e Uruará. Programas de incentivo à qualidade, pesquisa agrícola e valorização do cacau de origem têm contribuído para elevar o padrão do produto brasileiro e ampliar sua presença no mercado internacional.
A conquista da medalha de ouro em 2024, em Amsterdã, representa mais do que um prêmio agrícola. Ela simboliza o reconhecimento global do trabalho de produtores brasileiros e evidencia o potencial do país para se destacar cada vez mais no mercado mundial de cacau fino e chocolates de alta qualidade.






