A ciência brasileira conquistou um dos maiores reconhecimentos do mundo na área de agricultura. A pesquisadora Mariangela Hungria, da Embrapa, foi anunciada em 2025 como vencedora do World Food Prize, prêmio considerado internacionalmente o equivalente ao “Nobel da Agricultura”.
O reconhecimento celebra décadas de trabalho científico que ajudaram a transformar a produção agrícola do Brasil, tornando-a mais produtiva, mais sustentável e menos dependente de fertilizantes químicos.
Quem é Mariangela Hungria
Mariangela Hungria é engenheira agrônoma e pesquisadora da Embrapa desde a década de 1980. Formou-se na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo, e construiu carreira na área de microbiologia do solo e fertilidade agrícola.
Durante mais de 40 anos de pesquisa, Hungria se especializou em um tema fundamental para a agricultura moderna: a fixação biológica de nitrogênio — um processo natural em que microrganismos transformam o nitrogênio do ar em nutrientes que as plantas conseguem absorver.
Seu trabalho ajudou a consolidar o Brasil como referência mundial em agricultura tropical sustentável.
A inovação que mudou o campo
O grande impacto das pesquisas de Hungria está no desenvolvimento e na difusão de tecnologias baseadas em bactérias benéficas aplicadas nas lavouras, especialmente na soja e em outras culturas agrícolas.
Essas bactérias vivem nas raízes das plantas e realizam o processo de Biological Nitrogen Fixation, capturando nitrogênio da atmosfera e transformando-o em alimento para a planta.
Na prática, isso trouxe três impactos gigantescos para a agricultura brasileira:
1️⃣ Redução do uso de fertilizantes químicos
Os fertilizantes nitrogenados são caros, dependem de importação e possuem grande impacto ambiental. As tecnologias desenvolvidas por Hungria permitem substituir grande parte desses produtos.
2️⃣ Economia bilionária para o agro brasileiro
Estudos da Embrapa estimam que o uso dessas tecnologias gera economia de bilhões de dólares por ano para produtores brasileiros.
3️⃣ Agricultura mais sustentável
A fixação biológica reduz emissões de gases de efeito estufa associadas à produção e ao uso de fertilizantes industriais.
O World Food Prize
O World Food Prize foi criado em 1986 pelo cientista americano Norman Borlaug, vencedor do Nobel da Paz e considerado o pai da Revolução Verde.
O prêmio reconhece pessoas que contribuem para melhorar a qualidade, a quantidade e a disponibilidade de alimentos no mundo.
Ao longo das décadas, o prêmio já reconheceu cientistas responsáveis por avanços fundamentais na produção global de alimentos.
Em 2025, Mariangela Hungria foi escolhida como vencedora justamente por sua contribuição científica que permitiu aumentar a produtividade agrícola ao mesmo tempo em que reduz impactos ambientais.
Um marco para a ciência brasileira
A premiação representa um reconhecimento internacional não apenas da pesquisadora, mas também da ciência produzida no Brasil.
A Embrapa, fundada em 1973, é hoje uma das instituições de pesquisa agrícola mais respeitadas do mundo. Suas tecnologias ajudaram a transformar o Brasil em uma potência global na produção de alimentos.
O trabalho de Hungria simboliza exatamente esse modelo de desenvolvimento: ciência aplicada ao campo, inovação tecnológica e impacto direto na economia real.
Ciência, trabalho e dedicação
Histórias como a de Mariangela Hungria mostram como investimento em ciência, pesquisa e educação pode transformar um país.
Seu trabalho não surgiu da noite para o dia. Foram décadas de estudos, experimentos e dedicação à pesquisa científica — muitas vezes longe dos holofotes.
Hoje, os resultados desse esforço beneficiam milhões de agricultores e ajudam a alimentar o mundo.
É também um lembrete poderoso de que o desenvolvimento de uma nação passa pelo conhecimento, pela persistência e pela valorização de quem trabalha para criar soluções reais para a sociedade.
✔ Fontes e referências
- Embrapa
- World Food Prize
- World Food Prize Foundation
- Publicações científicas sobre fixação biológica de nitrogênio na agricultura brasileira






