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A arte aproxima: professora viraliza ao transformar lousas em obras de arte dentro da sala de aula

Em entrevista exclusiva ao Mais Brasil, a artista plástica e professora Camilla Dantas fala sobre a repercussão nas redes sociais, a relação com os alunos e como a arte tem transformado o ambiente escolar com mais criatividade, leveza e conexão.

Camilla Dantas é artista plástica e professora de artes da rede pública do Distrito Federal que viralizou nas redes sociais ao transformar a lousa da sala de aula em verdadeiras obras de arte. Com desenhos detalhados feitos antes das aulas, ela conquistou milhões de visualizações e chamou atenção pela forma criativa de aproximar os alunos da arte e da educação. Formada em Artes Visuais pela Universidade de Brasília (UnB), Camilla encontrou na sala de aula um espaço para unir sensibilidade, criatividade e conexão com os estudantes, tornando-se referência nas redes por mostrar que a arte também pode transformar o ambiente escolar.

Em entrevista exclusiva ao Mais Brasil, Camilla fala sobre o impacto inesperado da repercussão nas redes, a relação com os alunos, o processo criativo por trás dos desenhos e como a arte se tornou uma ferramenta de transformação dentro e fora da sala de aula.

Quando e por que você começou a fazer desenhos na lousa dentro da sala de aula?

Comecei a fazer os desenhos em 2024, quando dava aulas para o ensino fundamental. Em uma das aulas, sobre arte chinesa, fiz um desenho delicado em um canto da lousa e percebi que os alunos gostaram bastante. Eles começaram a reproduzir o desenho nos cadernos e, a partir daí, passei a desenhar ocasionalmente, embora ainda não fosse algo diário ou parte da rotina.

Em 2025, fui para uma escola de ensino médio e resolvi fazer um desenho novamente. Achei que os alunos, por serem mais velhos, talvez não se interessassem tanto, mas aconteceu exatamente o contrário. Eles gostaram muito e começaram a pedir novos desenhos com frequência. No início, eu não fazia todos os dias, mas como percebi o entusiasmo deles, decidi transformar isso em um hábito diário dentro da sala de aula.

Como funciona seu processo criativo? Você planeja os desenhos ou cria tudo na hora?

Toda segunda-feira, abro uma caixinha de perguntas no Instagram para que as pessoas possam enviar sugestões de desenhos. No começo, eu buscava referências no Pinterest, em temas comentados pelos alunos ou até mesmo em assuntos relacionados à aula do dia. Com o tempo, porém, as ideias começaram a ficar mais difíceis de surgir naturalmente.

Então passei a pedir sugestões diretamente aos alunos, mas acabava ficando um pouco desorganizado e eu não conseguia lembrar de todas as ideias. Foi aí que decidi criar a caixinha no Instagram. Hoje, tanto meus alunos quanto os seguidores participam desse processo criativo enviando sugestões. Isso me ajuda muito, porque criar algo novo todos os dias exige inspiração constante.

Isso mudou algo no comportamento deles?

Acredito que sim. Percebo que isso aproximou mais os alunos de mim e criou uma relação de maior intimidade e confiança dentro da sala de aula. Os desenhos acabaram se tornando também um assunto em comum entre nós. Muitos alunos vêm conversar comigo sobre arte, pedir dicas de desenho e até mostrar seus próprios portfólios e trabalhos. Sinto que isso fortaleceu bastante a conexão que temos no ambiente escolar e tornou as aulas mais leves e próximas.

O que mais te surpreendeu nessa repercussão?

O que mais me surpreendeu nessa repercussão foi justamente o tipo de conteúdo que acabou alcançando tantas pessoas. Eu produzo diferentes tipos de vídeos no Instagram. Além dos desenhos feitos em sala de aula, também compartilho pinturas, dicas de desenho e outros trabalhos como artista plástica.

Por isso, me surpreendeu perceber que os vídeos dos desenhos feitos na lousa — que são trabalhos mais rápidos, cotidianos e espontâneos — foram os que mais repercutiram. Inclusive, são desenhos feitos de maneira muito ágil, com canetão de quadro, que não é um material tão simples de utilizar. Não são necessariamente os trabalhos mais elaborados ou complexos que produzo, mas justamente aquilo que faz parte da minha rotina em sala de aula. Acho que foi essa espontaneidade e simplicidade que acabou conectando tantas pessoas ao conteúdo.

Na sua visão, qual é o papel da arte dentro da sala de aula hoje?

Acredito que a arte tem um papel muito importante dentro da sala de aula porque ela ajuda a romper um pouco com a visão tradicional que muitos alunos têm da escola, especialmente no ensino médio. Muitas vezes, a escola é vista apenas como um ambiente de obrigação, cobrança e desgaste. A arte traz mais leveza para esse espaço.

Nas minhas aulas, procuro mostrar que a arte não se limita apenas à disciplina de artes ou ao desenho. Ela está presente em todos os lugares e faz parte da nossa vida de diferentes formas. Sempre digo, tanto nas redes sociais quanto para meus alunos e amigos, que qualquer forma de expressão artística — seja pintura, desenho, música ou dança — pode trazer benefícios emocionais e mentais muito importantes. A arte estimula a criatividade, ajuda a reduzir a ansiedade e faz com que a mente fique mais ativa e sensível.

Percebo também que muitos alunos acreditavam não gostar de arte porque tiveram experiências negativas anteriores. Quando eles entendem que a arte pode ser simples, divertida e acessível, começam a enxergá-la de outra maneira. Isso faz com que ampliem o olhar não apenas dentro da sala de aula, mas também para a arte presente no mundo ao redor.

Acompanhe o trabalho da Camilla no instagram: @camilla.dnt

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