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Pesquisa brasileira dá novos passos na recuperação de movimentos em pacientes com lesão medular

Desde 2021, pesquisadores brasileiros vêm desenvolvendo uma das pesquisas mais promissoras da área de regeneração da medula espinhal. O trabalho, liderado por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com outras instituições, estuda o uso de uma substância chamada polilaminina, uma molécula derivada de uma proteína já existente no corpo humano, capaz de ajudar neurônios a se reconectarem após uma lesão.

Quem lidera é a científica brasileira: a professora e bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela coordena há mais de 25 anos os estudos sobre a proteína polilaminina aplicada no tratamento de lesões na medula espinhal e é referência nacional na área de biologia regenerativa e recuperação neural.

Tatiana dirige o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular da UFRJ, onde sua equipe transformou em laboratório uma forma especial da proteína laminina — extraída da placenta humana — que pode favorecer a reconexão de neurônios após traumatismos na medula.

O tema ganhou destaque nacional a partir de 2023, quando os primeiros resultados em pacientes começaram a ser divulgados. Pessoas que haviam sofrido lesões graves na medula, em alguns casos com perda total de movimentos, passaram a apresentar recuperações parciais e progressivas de funções motoras após o uso da terapia experimental. Esses resultados marcaram um momento importante para a ciência brasileira, por mostrarem que a regeneração do sistema nervoso, considerada por décadas um dos maiores desafios da medicina, pode estar mais próxima da realidade.

Um dos casos clínicos mais divulgados no âmbito da pesquisa é o do bancário paulista Bruno Drummond de Freitas, que sofreu uma lesão medular cervical considerada completa após um acidente automobilístico ocorrido em 28 de abril de 2018. O trauma interrompeu a comunicação entre o cérebro e grande parte do corpo, resultando em tetraplegia. Anos depois, Bruno foi incluído no protocolo experimental conduzido pela equipe da UFRJ, que investiga a aplicação da polilaminina — uma forma sintética derivada da laminina, proteína associada à matriz extracelular e ao desenvolvimento do sistema nervoso. De acordo com relatos técnicos e entrevistas concedidas pela equipe de pesquisa, aproximadamente duas semanas após a intervenção foram observados os primeiros sinais de resposta motora voluntária distal, como a movimentação do hálux (dedão do pé). Ao longo do acompanhamento clínico subsequente, associado a reabilitação intensiva e fisioterapia especializada, houve progressão funcional gradual, com recuperação parcial de movimentos em membros superiores e inferiores. O caso é descrito pelos pesquisadores como um indicativo relevante do potencial regenerativo da terapia, embora ainda inserido em contexto experimental, com número reduzido de participantes e sem aprovação regulatória definitiva para uso clínico amplo.

Em 2025, o tratamento continua em fase experimental e ainda precisa cumprir todas as etapas exigidas pelos órgãos reguladores, como a Anvisa, antes de poder ser usado em larga escala. Isso significa que ainda não se trata de um medicamento disponível no SUS, mas sim de uma pesquisa em andamento, seguindo os protocolos científicos e de segurança necessários.

Os resultados já alcançados são motivo de grande otimismo, embora ainda estejam em fase experimental. Pesquisas com animais mostraram que a polilaminina pode melhorar a mobilidade e coordenação de cães paraplégicos, com vários animais recuperando movimentos após um ano de acompanhamento. Estudos preliminares com humanos também já foram realizados em grupos muito pequenos, e há relatos de pacientes que conseguiram recuperar parte de seus movimentos e controle corporal após a aplicação da substância.

A história dessa pesquisa é também a história de como universidades públicas e pesquisadores do Brasil seguem avançando, passo a passo, em áreas extremamente complexas da medicina — provando que investimento em ciência é investimento em futuro.

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